RT Journal Article T1 Televisão e violência: (para) novas formas de olhar T1 TV and violence new ways of watching A1 Pinto da Mota Matos, Armanda AB Nas suas vertentes teórica e empírica, a pesquisa sobre a influência da televisão evoluiu de uma perspectiva mais unilateral,em que os media eram pensados focando o seu efeito directo sobre o público, para análises mais complexas, onde a dimensãocognitiva da recepção das mensagens foi, progressivamente, valorizada.Neste contexto, surgiu o interesse em torno de questões como as expectativas dos espectadores, a construção de significadospelas audiências ou a contínua interacção do público com os media, que conduziu à delimitação de alguns factores pessoais,televisivos e contextuais, potenciais intervenientes na relação entre a violência televisiva e o comportamento agressivo.Tendo em consideração esta perspectiva, procedemos à realização de um estudo com 820 alunos dos 4º, 6º e 8º anos doensino básico do distrito de Coimbra, orientado por dois grandes objectivos: caracterizar e compreender os seus hábitos televisivos eanalisar o papel mediador de algumas variáveis de natureza perceptual e cognitiva - (1) a identificação com heróis televisivosviolentos, (2) o prazer em ver violência na televisão e (3) o realismo percebido na violência televisiva - na relação entre exposição àviolência televisiva e agressão física.A perspectiva subjacente às análises efectuadas é a de que a influência da violência televisiva sobre a agressão dosespectadores poderá depender da forma como estes percebem os conteúdos observados. Ou seja, estes três factores constituem osmecanismos psicológicos pelos quais a exposição à violência na televisão influencia a agressão posterior das crianças e dosadolescentes.A análise dos resultados obtidos, mediante estatísticas de carácter descritivo, permitiu concluir que algumas das condiçõesque propiciam uma percepção da violência televisiva menos potenciadora da sua influência nem sempre estão reunidas, tal comoindiciam o nível de mediação parental, o tempo dedicado à TV pelos participantes, bem como o número e o local ocupado pelostelevisores em casa destes.Os resultados obtidos recorrendo à path analysis sugerem que a exposição à violência televisiva é uma variável preditora daagressão física, mas não se constitui como a única variável, nem a mais importante, em termos de capacidade explicativa. Noentanto, mesmo quando controlados outros factores, como o sexo ou as características de personalidade, a exposição à violênciatelevisiva continua a deter alguma capacidade explicativa da variância na agressão.O seu poder preditivo é, no entanto, mediado pela forma como os participantes percepcionam a violência televisiva. Assim,são as crianças e os adolescentes que mais prazer têm em ver violência na televisão, que se identificam com heróis televisivos maisviolentos e que percebem a violência televisiva como mais semelhante à realidade aqueles que surgem como mais susceptíveis àinfluência da violência televisiva.O nosso interesse em conhecer as variáveis mediadoras resulta do facto de que estas constituem, normalmente, uma partecrucial na compreensão de como um processo causal ocorre, oferecendo, desta forma, pistas sobre possibilidades de intervenção.Assim, de acordo com os resultados obtidos, delineámos algumas sugestões relativamente ao papel da família e da escola, napromoção de uma relação com a televisão que se revele promotora do desenvolvimento das crianças e dos jovens AB This paper presents the results of a study conducted with 820 students from the 4th, 6th and 8th grades, with the purpose oftesting the hypothesis that enjoyment of TV violence, perception of realism in TV violence and identification with violent characterswould mediate the relationship between viewing TV violence and physical aggression. The results suggest that children who takepleasure in viewing TV violence, who identify with violent heroes and who think of TV violence as similar to real life are more likely tobe influenced by violence on television. In the discussion of the results, implications of these findings for parents, children, andteachers will be a central focus PB Universidad de Huelva YR 2005 FD 2005 LK http://hdl.handle.net/10272/6998 UL http://hdl.handle.net/10272/6998 LA por DS Repositorio Institucional de la Universidad de Huelva RD 30 may 2026